{"id":1545,"date":"2026-09-13T16:24:19","date_gmt":"2026-09-13T19:24:19","guid":{"rendered":"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/?post_type=crews&#038;p=1545"},"modified":"2026-09-13T16:24:19","modified_gmt":"2026-09-13T19:24:19","slug":"vdc-crew","status":"publish","type":"crews","link":"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/crews\/vdc-crew\/","title":{"rendered":"VDC Crew"},"featured_media":1546,"parent":0,"template":"","meta":{"perfil-crews":"<p>A Vai Dar Certo Crew (VDC Crew) \u00e9 um coletivo de grafiteiros sediado na Zona Norte de Teresina (PI), criado em 2015, que atua no campo da arte urbana articulando produ\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, a\u00e7\u00e3o social e forma\u00e7\u00e3o cultural. Organizada como uma comunidade de pr\u00e1tica fundada em afinidades, colabora\u00e7\u00e3o e identidade coletiva, a VDC re\u00fane artistas que utilizam o graffiti como linguagem de interven\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o p\u00fablico, promovendo murais, oficinas, cursos e projetos educativos em escolas, comunidades e equipamentos urbanos.<br \/>\nSob lideran\u00e7a de Du Alem\u00e3o (Jos\u00e9 Eduardo Borges), o coletivo construiu uma trajet\u00f3ria marcada pela valoriza\u00e7\u00e3o da cultura perif\u00e9rica, pelo di\u00e1logo com institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e pela defesa do graffiti como instrumento de pertencimento, cidadania e transforma\u00e7\u00e3o social. Situada na intersec\u00e7\u00e3o entre pr\u00e1tica art\u00edstica, ativismo comunit\u00e1rio e economia criativa, a VDC articula diferentes frentes de atua\u00e7\u00e3o, sintetizadas no lema \u201cVai dar certo\u201d, que expressa uma \u00e9tica de encorajamento, pertencimento e resist\u00eancia cotidiana nas periferias de Teresina.<br \/>\nA trajet\u00f3ria da crew se desenvolve em um momento de maior visibilidade p\u00fablica do graffiti na cidade, impulsionado por festivais, mutir\u00f5es e parcerias institucionais. Nesse contexto, o coletivo se estrutura a partir da compreens\u00e3o do graffiti como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social, especialmente junto a jovens das periferias urbanas:<\/p>\n<blockquote><p>Em 2015, fundamos a VDC. Tinha 15 grafiteiros. Hoje tem uns quatro. O Maku era um: \u00e9 quem fez o graffiti no pr\u00e9dio em frente \u00e0 Igreja S\u00e3o Benedito, no pr\u00e9dio em frente ao Karnak. O Magnata, vem da pixa\u00e7\u00e3o. Tinha o Zero, filho da Simone, que come\u00e7ou na VDC e hoje \u00e9 DJ. O Apolo, que \u00e9 o coordenador do CEM, era o Snoop; hoje \u00e9 da Igreja. O Tom \u00e9 o \u00fanico que t\u00e1 desde a funda\u00e7\u00e3o, junto comigo. Tem o Xato, que faz a melancia. O Shock saiu. A Simone tamb\u00e9m. Muita gente passou pela VDC. Aprendeu, seguiu seu caminho. E isso: eu ensino pra todo mundo que vem aprender comigo. J\u00e1 ensinei gente que virou artista, j\u00e1 ensinei gente que virou professor. J\u00e1 levei o graffiti pra dentro da igreja. J\u00e1 pintei mural com vers\u00edculo. J\u00e1 pintei no CRAS, j\u00e1 pintei em escola, j\u00e1 pintei em hospital. J\u00e1 fui em comunidade onde n\u00e3o tinha nem muro e a gente improvisou com placa de madeira. O importante \u00e9 levar a mensagem. \u00c9 dar voz. Porque tem muito jovem que n\u00e3o tem espa\u00e7o. A escola n\u00e3o ouve, a fam\u00edlia n\u00e3o entende. A arte \u00e9 onde ele se encontra. E o graffiti \u00e9 isso: identidade, pertencimento, resist\u00eancia. (Du Alem\u00e3o, depoimento 2025 a Kelma Gallas).<\/p><\/blockquote>\n<p>O relato permite compreender a crew n\u00e3o como uma estrutura fixa e est\u00e1vel, mas como um espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o. Nessa perspectiva, a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de integrantes ao longo do tempo n\u00e3o indica dissolu\u00e7\u00e3o, mas reconfigura\u00e7\u00e3o relacional. A pr\u00f3pria enumera\u00e7\u00e3o de nomes \u2014 Maku, Magnata, Zero, Apolo, Tom Winnex, Xato, Chock, Maria Simone \u2014 revela um mapa de trajet\u00f3rias que se expandiram para diferentes campos, como m\u00fasica, educa\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o e gest\u00e3o social. Essas sa\u00eddas n\u00e3o s\u00e3o narradas como rupturas, mas como desdobramentos de um processo formativo vivido no interior da crew.<br \/>\nH\u00e1 outros aspectos capturados pela fala de Du Alem\u00e3o. Quando ele diz que \u201cmuita gente passou pela VDC, aprendeu, seguiu seu caminho\u201d, ressalta-se o car\u00e1ter formativo da Crew, definindo o coletivo pela capacidade de produzir sujeitos que circulam, traduzem e reinscrevem o que aprenderam em outros territ\u00f3rios simb\u00f3licos e institucionais. Isso \u00e9 reafirmado em outro trecho: \u201ceu ensino pra todo mundo que vem aprender comigo\u201d, explicitando a crew tamb\u00e9m como uma inst\u00e2ncia pedag\u00f3gica informal, na qual o graffiti funciona como linguagem de inicia\u00e7\u00e3o, media\u00e7\u00e3o e descoberta de si. Percebe-se, assim, que na crew prevalece uma \u00e9tica na qual o conhecimento n\u00e3o \u00e9 retido como capital simb\u00f3lico exclusivo, mas distribu\u00eddo como pr\u00e1tica de cuidado e responsabilidade social.<br \/>\nA crew acolhe, ensina, compartilha t\u00e9cnicas e valores, mas n\u00e3o exige fidelidade eterna. Como um espa\u00e7o tempor\u00e1rio de encontro, aprendizagem e pertencimento, na crew os v\u00ednculos se constroem a partir de afinidades est\u00e9ticas, territoriais e \u00e9ticas que, com o tempo, podem se afrouxar, se transformar ou se deslocar para outros campos de atua\u00e7\u00e3o. Esse car\u00e1ter transit\u00f3rio \u00e9 constitutivo das culturas urbanas, especialmente no graffiti, onde os percursos individuais raramente seguem trajet\u00f3rias lineares ou institucionalizadas. Essa compreens\u00e3o desloca a ideia de crew como \u201ctime fechado\u201d ou \u201cmarca r\u00edgida\u201d e a aproxima de uma no\u00e7\u00e3o mais fluida, quase rizom\u00e1tica, em que as conex\u00f5es se fazem e se desfazem conforme as condi\u00e7\u00f5es de vida, os afetos e as oportunidades:<br \/>\nA gente continua. T\u00f4 aqui agora com a camiseta da VDC. Todo dia eu boto. A gente tenta manter essa identidade, essa irmandade. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 fazer graffiti. \u00c9 a viv\u00eancia mesmo, entendeu? Quando voc\u00ea v\u00ea um cara da sua crew pintando num evento, voc\u00ea vai l\u00e1, fortalece, troca tinta, compartilha t\u00e9cnica. \u00c0s vezes, nem vai grafitar, mas s\u00f3 de estar presente j\u00e1 fortalece. \u00c9 isso que eu acho que falta hoje. A galera nova tem talento, mas falta mais uni\u00e3o, mais presen\u00e7a. T\u00e1 muito cada um por si. Antigamente, a gente se encontrava num lugar s\u00f3 pra trocar ideia. Hoje todo mundo fica no Instagram (Du Alem\u00e3o, depoimento 2025 a Kelma Gallas).<br \/>\nA afinidade \u00e9 entendida como um elemento central na forma\u00e7\u00e3o das crews, n\u00e3o sendo entendida como pacto permanente, mas como acordo provis\u00f3rio, sustentado enquanto faz sentido para os envolvidos. No entanto, nesse depoimento, trechos da fala de Du Alem\u00e3o podem ser interpretados como uma cr\u00edtica geracional \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o das formas de sociabilidade no interior do graffiti: \u201ct\u00e1 muito cada um por si\u201d; \u201cantigamente, a gente se encontrava num lugar s\u00f3 pra trocar ideia\u201d, enquanto \u201choje todo mundo fica no Instagram\u201d.<br \/>\nDu Alem\u00e3o aponta para um deslocamento do eixo coletivo da pr\u00e1tica do graffiti: da presen\u00e7a f\u00edsica, do encontro e da conviv\u00eancia prolongada, para a media\u00e7\u00e3o digital, marcada pela visibilidade individual e pela circula\u00e7\u00e3o de imagens nas redes sociais. Para Du Alem\u00e3o, o que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 a perda da t\u00e9cnica ou da criatividade, mas o enfraquecimento da dimens\u00e3o relacional do graffiti, historicamente constru\u00edda em torno do rol\u00ea, da troca de ideias, do aprendizado compartilhado e da experi\u00eancia corporal da cidade.<br \/>\nA VDC Crew desenvolve um trabalho social cont\u00ednuo e estruturado, utilizando o graffiti como ferramenta de forma\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social. Desde 2015, o coletivo atua na realiza\u00e7\u00e3o de oficinas gratuitas de graffiti para crian\u00e7as, adolescentes e jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, em parceria com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos como a COJUV-PI e a Funda\u00e7\u00e3o Wall Ferraz. At\u00e9 2023, j\u00e1 eram mais de 80 oficinas promovidas em Teresina e no interior do Piau\u00ed, articulando est\u00e9tica, cidadania e cultura hip hop. Du Alem\u00e3o defende que esses espa\u00e7os formativos s\u00e3o relevantes para as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas: \u201cna periferia, a arte e a cultura s\u00e3o privil\u00e9gios distantes para a maioria dos jovens. Eu sei bem como \u00e9 isso: vim de uma realidade dura e conhe\u00e7o o valor de um simples tubo de tinta\u201d (Meio News, 2024).<br \/>\nA VDC tamb\u00e9m tem participado, desde sua cria\u00e7\u00e3o, de projetos de revitaliza\u00e7\u00e3o urbana. Em 2021, durante a pandemia da Covid 19, o coletivo integrou os projetos de arte urbana da Equatorial Energia Piau\u00ed, intervindo artisticamente nos muros da subesta\u00e7\u00e3o Jockey, zona leste de Teresina. Em entrevista sobre o assunto, Du Alem\u00e3o disse que aquele empreendimento subsidiado traria maior visibilidade para o trabalho do coletivo. Al\u00e9m disso, ressaltou que a cultura deveria ser considerada um investimento devido ao seu poder de transformar vidas, ser fonte de renda para v\u00e1rias pessoas e tir\u00e1-las do mundo do crime e das drogas, contribuindo com o processo de ressocializa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEssa agenda voltaria a aparecer em outro momento da trajet\u00f3ria da VDC Crew, em 2022, quando o coletivo foi convidado a realizar uma interven\u00e7\u00e3o art\u00edstica no Viaduto da Tabuleta, obra de mobilidade urbana localizada na zona sul de Teresina, na liga\u00e7\u00e3o entre as avenidas Bar\u00e3o de Gurgueia e Henry Wall de Carvalho. Segundo Du Alem\u00e3o, o convite partiu da Superintend\u00eancia de A\u00e7\u00f5es Administrativas Descentralizadas Sul (SAAD Sul).<br \/>\nA interven\u00e7\u00e3o ocorreu no contexto das a\u00e7\u00f5es relacionadas aos 170 anos de Teresina, per\u00edodo em que a inaugura\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas era associada, no discurso institucional, \u00e0s ideias de desenvolvimento e moderniza\u00e7\u00e3o da cidade. A presen\u00e7a da VDC Crew em uma infraestrutura de grande circula\u00e7\u00e3o indicava, nesse contexto, uma mudan\u00e7a na rota do coletivo, cuja trajet\u00f3ria havia sido constru\u00edda principalmente em bairros perif\u00e9ricos e que passava a trabalhar, mediante convite do poder p\u00fablico, em equipamentos urbanos de ampla visibilidade.<br \/>\nA escala da interven\u00e7\u00e3o levou o coletivo a reunir artistas de diferentes trajet\u00f3rias. Al\u00e9m de integrantes da VDC, como Du Alem\u00e3o, Xato e Rika, participaram, como convidados, Isadora Arj, Leandro Alves, Alessandro Galeno, Sidney Resende, R\u00f4mulo Briseno e Hailton Rodrigues.<br \/>\nNessa interven\u00e7\u00e3o, a escolha t\u00e9cnica foi pelo xilograffiti, estilo que aproxima os recursos visuais da xilogravura das t\u00e9cnicas e da escala do graffiti. Observadas em conjunto, as pinturas do Viaduto da Tabuleta constroem um repert\u00f3rio visual fortemente relacionado ao imagin\u00e1rio nordestino e \u00e0s experi\u00eancias sociais do territ\u00f3rio. Figuras de trabalhadores, mulheres, personagens populares, aves, cactos, elementos religiosos, cenas rurais e refer\u00eancias \u00e0 cultura sertaneja aparecem submetidos \u00e0 s\u00edntese gr\u00e1fica do xilograffiti, com contornos marcados, \u00e1reas chapadas e predomin\u00e2ncia do preto e branco, embora algumas composi\u00e7\u00f5es introduzam cores pontuais. As imagens confirmam a proposta atribu\u00edda \u00e0 VDC de aproximar a est\u00e9tica da xilogravura das t\u00e9cnicas do graffiti, convertendo os pilares do elevado em uma sequ\u00eancia de narrativas visuais.<br \/>\nOutra importante atua\u00e7\u00e3o da VDC Crew \u00e9 um trabalho social cont\u00ednuo e estruturado, utilizando o graffiti como ferramenta de forma\u00e7\u00e3o, inclus\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social. Desde 2015, o coletivo realiza oficinas gratu\u00edtas de graffiti para crian\u00e7as, adolescentes e jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, em parceria com \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos como a COJUV-PI e a Funda\u00e7\u00e3o Wall Ferraz. At\u00e9 2023, o coletivo contabilizava mais de 80 oficinas promovidas em Teresina e no interior do Piau\u00ed, articulando est\u00e9tica, cidadania e cultura hip hop. Du Alem\u00e3o defende que esses espa\u00e7os formativos s\u00e3o relevantes para as popula\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas: \"na periferia, a arte e a cultura s\u00e3o privil\u00e9gios distantes para a maioria dos jovens. Eu sei bem como \u00e9 isso \u2013 vim de uma realidade dura e conhe\u00e7o o valor de um simples tubo de tinta\" (Meio News, 2024).<br \/>\nEntre a rua, a escola, os projetos sociais e as interven\u00e7\u00f5es de grande escala, o coletivo evidencia que o graffiti pode operar simultaneamente como pr\u00e1tica est\u00e9tica, ferramenta pedag\u00f3gica e estrat\u00e9gia de inser\u00e7\u00e3o social. Mais do que a perman\u00eancia de seus integrantes, o que sustenta a VDC vem demonstrando que um coletivo se sustenta pela capacidade de produzir v\u00ednculos, formar sujeitos e reinscrever, em diferentes territ\u00f3rios, uma \u00e9tica baseada no pertencimento, na partilha e na transforma\u00e7\u00e3o. Nesse movimento, a crew n\u00e3o apenas ocupa a cidade, mas contribui para redefinir suas formas de uso, percep\u00e7\u00e3o e significado, reafirmando o papel dos coletivos na sustenta\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o da cultura de rua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n"},"nome-projeto":[2],"class_list":["post-1545","crews","type-crews","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","nome-projeto-grafithe"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>VDC Crew - Editora Lestu - Projeto Grafi-The<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A Vai Dar Certo Crew (VDC Crew) \u00e9 um coletivo de grafiteiros sediado na Zona Norte de Teresina (PI), criado em 2015, que atua no campo da arte urbana articulando produ\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, a\u00e7\u00e3o social e forma\u00e7\u00e3o cultural.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/crews\/vdc-crew\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"VDC Crew - 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