{"id":1551,"date":"2026-09-16T18:11:58","date_gmt":"2026-09-16T21:11:58","guid":{"rendered":"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/?post_type=crews&#038;p=1551"},"modified":"2026-09-16T18:11:58","modified_gmt":"2026-09-16T21:11:58","slug":"vqr-crew","status":"publish","type":"crews","link":"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/crews\/vqr-crew\/","title":{"rendered":"VQR Crew"},"featured_media":1552,"parent":0,"template":"","meta":{"perfil-crews":"<p>A VQR \u2013 Vandals Quebrando Regras \u2013 emergiu na cena do graffiti teresinense entre os anos de 2009 e 2010, constituindo-se como um dos coletivos mais antigos de Teresina. Fazem parte do grupo artistas reconhecidos por suas trajet\u00f3rias individuais e pela consist\u00eancia t\u00e9cnica de suas produ\u00e7\u00f5es, como Adriano Camelo, Gleydson \u201cMaguim\u201d, Hudson Melo (udz), R\u00f4mulo Brisa, Vin\u00edcius (Vini), Marcelo Arca e Dhieck.<br \/>\nComo um arranjo coletivo entre artistas experientes que, ao longo de suas trajet\u00f3rias, consolidaram linguagens pr\u00f3prias no campo do graffiti, a VQR aproxima-se da l\u00f3gica do vandal, n\u00e3o no sentido estritamente pejorativo, mas como afirma\u00e7\u00e3o de uma autonomia frente \u00e0s normatividades que regulam o uso do espa\u00e7o urbano.<br \/>\nEssa caracter\u00edstica se articula diretamente ao pr\u00f3prio nome do grupo. A sigla VQR \u2014 Vandals Quebrando Regras \u2014 remete a uma simbologia interna do graffiti associada \u00e0 a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, direta e pouco institucionalizada. Como descreve Brisa, trata-se de uma pr\u00e1tica que n\u00e3o se orienta por protocolos r\u00edgidos: \u201conde a gente sai para pintar, chegamos, escolhemos um lugar aleat\u00f3rio, sem seguir muita formalidade, pintamos e seguimos. E ali vai ficando as nossas marcas, nossos s\u00edmbolos, a nossa arte\u201d.<br \/>\nDo ponto de vista t\u00e9cnico, essa orienta\u00e7\u00e3o se expressa na predomin\u00e2ncia do estilo conhecido como bomb, caracterizado por execu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, com letras arredondadas e forte impacto visual. Como aponta Brisa, \u201ca maioria trabalha com letras\u201d, embora haja varia\u00e7\u00f5es internas, com alguns integrantes desenvolvendo tamb\u00e9m personagens, como \u00e9 o seu caso, de Vin\u00edcius e Hudson Melo. Essa coexist\u00eancia de estilos refor\u00e7a a ideia de que a VQR se estrutura a partir da diversidade, sem impor uma linguagem \u00fanica.<br \/>\nEssa caracter\u00edstica confere \u00e0 VQR um perfil espec\u00edfico no interior da cena local: trata-se de um coletivo que n\u00e3o anula as individualidades, mas as articula. Como sintetiza Maguim, cada integrante atua \u201cna pegada de personagens, na pegada de letras, na pegada da bomb\u201d, evidenciando que a unidade do grupo n\u00e3o reside na homogeneidade est\u00e9tica, mas na capacidade de produzir interven\u00e7\u00f5es conjuntas a partir de repert\u00f3rios distintos.<br \/>\nA origem da VQR est\u00e1 diretamente vinculada a uma leitura cr\u00edtica da pr\u00f3pria cidade. A abund\u00e2ncia de \u201cmuros em branco\u201d \u00e9 interpretada n\u00e3o como aus\u00eancia neutra, mas como vazio a ser tensionado. Nesse sentido, o coletivo nasceu de uma esp\u00e9cie de indigna\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e pol\u00edtica diante da paisagem urbana, assumindo como gesto fundador a decis\u00e3o de \u201ccarimbar os muros\u201d, isto \u00e9, inscrever presen\u00e7a onde h\u00e1 apagamento.<br \/>\nEssa inquieta\u00e7\u00e3o de marcar a cidade com interven\u00e7\u00f5es art\u00edsticas se articula com uma \u00e9tica de trabalho profundamente coletiva. Diferentemente de outras forma\u00e7\u00f5es mais fluidas, a VQR opera a partir de uma l\u00f3gica de coletividade e parceria: \u201ctodo o trabalho que a VQR faz, a VQR faz em conjunto\u201d, afirma Maguim. Mas, na din\u00e2mica de pertencimento que ultrapassa a autoria isolada, a VQR \u00e9 uma esp\u00e9cie de cola, que une a todos. Como afirma R\u00f4mulo Brisa, \u201ca VKR vem de uma uni\u00e3o, basicamente, de amigos que tem a mesma a afinidade, a mesma sintonia, de t\u00e1 pintando na rua, de t\u00e1 deixando o graffiti por onde a gente passa\u201d.<br \/>\nA inser\u00e7\u00e3o da VQR em eventos e projetos urbanos evidencia essa capacidade de articula\u00e7\u00e3o. Em 2013, membros do coletivo participaram do projeto Arte Colore, respons\u00e1vel pela revitaliza\u00e7\u00e3o das pistas de skate do Parque Potycabana. A proposta visual, conforme relata Hudson Melo, um dos integrantes do coletivo, buscava \u201cuma malha de textura\u201d capaz de dialogar com as m\u00faltiplas pr\u00e1ticas esportivas do espa\u00e7o, integrando skate, patins e outras atividades em uma composi\u00e7\u00e3o visual unificada. A interven\u00e7\u00e3o revelou um aspecto importante do grupo: a capacidade de pensar o graffiti n\u00e3o apenas como inscri\u00e7\u00e3o, mas como projeto de qualifica\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do espa\u00e7o urbano.<br \/>\nAo mesmo tempo, a trajet\u00f3ria da VQR se insere em uma temporalidade mais ampla da cena local, marcada por continuidades geracionais. A fala de R\u00f4mulo Brisa \u00e9 particularmente elucidativa nesse sentido. Ao rememorar sua entrada tardia no graffiti, quando \u201cj\u00e1 tava com uns 30 e poucos anos\u201d, ele evidencia que a cena teresinense j\u00e1 se encontrava em processo de consolida\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2010, com \u201cuma turma legal pintando bem\u201d. Essa gera\u00e7\u00e3o anterior, composta por nomes como Hudson Melo, Dhieck, Camelo e outros, constitui o terreno sobre o qual coletivos como a VQR se estruturam.<br \/>\nA dimens\u00e3o coletiva, contudo, n\u00e3o elimina a consci\u00eancia da efemeridade que atravessa o graffiti. Como observa Brisa, \u201cos graffitis que voc\u00ea faz solto, a\u00ed na rua, com o tempo eles v\u00e3o sumindo\u201d, o que implica um risco constante de apagamento da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria.<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com a rua \u00e9 reafirmada de forma contundente por Dhieck, ao afirmar que \u201co ambiente em que o graffiti sobrevive \u00e9 a rua\u201d. A escolha por pintar em vias vis\u00edveis, ainda que n\u00e3o plenamente seguras, evidencia uma concep\u00e7\u00e3o de arte orientada pela circula\u00e7\u00e3o e pelo encontro.<br \/>\nEssa percep\u00e7\u00e3o introduz uma tens\u00e3o fundamental: se, por um lado, a rua \u00e9 o lugar de realiza\u00e7\u00e3o da obra, por outro, ela tamb\u00e9m \u00e9 o espa\u00e7o de sua perda. A necessidade de perman\u00eancia, seja por meio de registros, seja pela busca de suportes mais dur\u00e1veis, passou a compor o horizonte dos artistas. Agora h\u00e1 muita preocupa\u00e7\u00e3o em registrar os trabalhos individuais e coletivos nas redes sociais, funcionando como portfolio e galeria. O valor da obra n\u00e3o est\u00e1 apenas em sua execu\u00e7\u00e3o, mas em sua exposi\u00e7\u00e3o ao olhar cotidiano: \u201cvoc\u00ea passa no outro dia e sente orgulho de ver seu trampo ali\u201d, afirma Dhieck.<br \/>\nNo plano est\u00e9tico, a produ\u00e7\u00e3o da VQR se caracteriza pela articula\u00e7\u00e3o entre personagens e letras, frequentemente atravessadas por uma dimens\u00e3o cr\u00edtica. Como destaca Maguim, h\u00e1 um \u201colhar de protesto\u201d, que se manifesta tanto em quest\u00f5es locais quanto em temas pol\u00edticos mais amplos. Essa orienta\u00e7\u00e3o aproxima o coletivo de uma tradi\u00e7\u00e3o do graffiti como linguagem de posicionamento, na qual a imagem n\u00e3o \u00e9 apenas decorativa, mas enunciativa.<br \/>\nA din\u00e2mica interna da VQR revela um modelo de organiza\u00e7\u00e3o que tensiona as formas mais estruturadas de coletivo no interior da cena do graffiti. Conforme explicita R\u00f4mulo Brisa, trata-se de uma crew que n\u00e3o opera a partir de formaliza\u00e7\u00f5es r\u00edgidas, mas de v\u00ednculos constru\u00eddos na conviv\u00eancia e na afinidade: \u201c\u00e9 um grupo de amigos que tem o paix\u00e3o por pintar e tem a quest\u00e3o da amizade, a afinidade um com o outro. A gente sempre t\u00e1 se comunicando, trocando ideia, mas n\u00e3o tem aquela quest\u00e3o de t\u00e1 se reunindo muito para discutir a tem\u00e1tica de pintura, essas coisas. Os encontros rolam de forma muito espont\u00e2nea\u201d, explica.<br \/>\nApesar da aus\u00eancia de formaliza\u00e7\u00e3o, a crew apresenta um elevado grau de coes\u00e3o, evidenciado na pr\u00e1tica recorrente dos chamados \u201crol\u00eas\u201d \u2014 momentos em que os integrantes se encontram para pintar coletivamente. Como sintetiza Brisa, \u201capesar da gente n\u00e3o ter esse formalismo todo de um coletivo, de um grupo, a gente \u00e9 bem coeso e t\u00e1 sempre que pode a gente t\u00e1 junto a\u00ed para dar o que a gente chama dar um rol\u00ea, n\u00e9, e sair para pintar\u201d. O rol\u00ea, nesse sentido, constitui mais do que uma pr\u00e1tica operacional: \u00e9 o dispositivo central de manuten\u00e7\u00e3o do grupo, no qual se atualizam os v\u00ednculos, se compartilham experi\u00eancias e se produz a pr\u00f3pria exist\u00eancia da crew.<\/p>\n"},"nome-projeto":[2],"class_list":["post-1551","crews","type-crews","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","nome-projeto-grafithe"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>VQR Crew - Editora Lestu - Projeto Grafi-The<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"A VQR \u2013 Vandals Quebrando Regras \u2013 \u00e9 um coletivo surgido em Teresina entre os anos de 2009 e 2010, constituindo-se como um dos coletivos mais antigos de Teresina. 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