{"id":1471,"date":"2026-05-06T15:13:33","date_gmt":"2026-05-06T18:13:33","guid":{"rendered":"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/?post_type=eventos-ev&#038;p=1471"},"modified":"2026-05-21T20:17:23","modified_gmt":"2026-05-21T23:17:23","slug":"festival_ruaz_crew","status":"publish","type":"eventos-ev","link":"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/eventos-ev\/festival_ruaz_crew\/","title":{"rendered":"Festival Ruaz Crew"},"featured_media":1472,"parent":0,"template":"","meta":{"perfil-eventos":"<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>O Festival Ruaz Crew \u00e9 uma iniciativa do coletivo de mesmo nome, se constituindo uma plataforma ampliada de mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, interc\u00e2mbio nacional e afirma\u00e7\u00e3o da periferia O Festival Ruaz Crew \u00e9 uma iniciativa do coletivo de mesmo nome, constitu\u00eddo como espa\u00e7o de mobiliza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, interc\u00e2mbio nacional e afirma\u00e7\u00e3o da periferia como territ\u00f3rio produtor de cultura. A partir desse evento, o Ruaz Crew expandiu sua atua\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do bairro de origem, inscrevendo Teresina no circuito do graffiti brasileiro \u2014 processo analisado a seguir em cada uma de suas edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A primeira edi\u00e7\u00e3o, denominada Encontro de Graffiti Ruaz Crew e realizada em 1\u00ba de maio de 2016 no Santa Maria da Codipi, sob o t\u00edtulo \"Ocupa\u00e7\u00e3o na Positividade\", reuniu 93 grafiteiros oriundos do Piau\u00ed, Maranh\u00e3o, Cear\u00e1 e Amazonas, que grafitaram mais de um quil\u00f4metro de muros e fachadas. A escolha do territ\u00f3rio n\u00e3o era circunstancial: o Santa Maria da Codipi \u00e9 um bairro historicamente associado \u00e0 precariedade urbana e \u00e0 aus\u00eancia do Estado, e o evento operou como dispositivo de requalifica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica desse espa\u00e7o. O muro, nesse contexto, n\u00e3o era apenas suporte est\u00e9tico \u2014 era tamb\u00e9m enuncia\u00e7\u00e3o territorial.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A revista Ruaz n\u00ba 1 (2018) \u00e9 um documento central para compreender esse momento. A publica\u00e7\u00e3o revela tr\u00eas elementos estruturantes do projeto. O primeiro \u00e9 a centralidade da periferia como espa\u00e7o produtor de cultura: h\u00e1 p\u00e1ginas dedicadas ao Santa Maria da Codipi, \u00e0s zonas Norte e Sudeste, aos muros afastados dos circuitos centrais \u2014 indicando um graffiti territorializado, ligado ao cotidiano de bairros populares. O segundo \u00e9 a consci\u00eancia de pertencimento a uma rede ampliada, regional e nacional: o Ruaz Crew se reconhecia como parte de um movimento maior, ainda que situado em condi\u00e7\u00f5es materiais desiguais. O terceiro \u00e9 a \u00eanfase na auto-organiza\u00e7\u00e3o: a revista, independente, com registros fotogr\u00e1ficos autorais e entrevistas feitas pelos pr\u00f3prios grafiteiros, revela que o coletivo buscava se estruturar sem depender de valida\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, institucional ou mercadol\u00f3gica. Como escreveu La\u00e9rcio Sinza em texto publicado na revista: \"O festival vem com a inten\u00e7\u00e3o de fortalecer a cena local e nacional do graffiti\", trazendo obras para \"dentro das comunidades menos favorecidas de arte urbana de qualidade\", despertando ou inspirando \"os interesses de uma juventude esquecida por parte do poder p\u00fablico\" a buscar \"profissionaliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do graffiti\" (Revista RUAZ, 2018, p. 8).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figura \u2014 Participantes do 1\u00ba Encontro de Graffiti Ruaz Crew em 2016]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>O <strong>2\u00ba Festival Internacional de Graffiti Ruaz<\/strong> (2017), realizado no bairro Monte Verde, zona Norte de Teresina, representou um passo de amadurecimento pol\u00edtico e organizativo. Monte Verde era um territ\u00f3rio em processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, ainda pouco inserido nos circuitos culturais da cidade. A escolha do espa\u00e7o evidenciava uma estrat\u00e9gia deliberada de afirma\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 cidade. A edi\u00e7\u00e3o reuniu cerca de 200 artistas de sete estados \u2014 Cear\u00e1, Maranh\u00e3o, Rio Grande do Norte, Par\u00e1, Pernambuco, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro \u2014, tornando-se espa\u00e7o de interc\u00e2mbio est\u00e9tico entre diferentes cenas do graffiti nacional. A programa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se diversificou, incorporando rodas de conversa, debates e apresenta\u00e7\u00f5es musicais, refor\u00e7ando o car\u00e1ter do festival como pr\u00e1tica cultural indissoci\u00e1vel do hip hop e da organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Naquele per\u00edodo, o Ruaz Crew era composto por quatro integrantes, conforme registro na revista Ruaz (2018): La\u00e9rcio Sinza, idealizador do coletivo, com atua\u00e7\u00e3o no graffiti desde 2007, voltado principalmente ao wild style e \u00e0s personas; Wanderson Alves (CBS), que come\u00e7ou na picha\u00e7\u00e3o em 2015 e migrou para o graffiti sob influ\u00eancia de artistas locais; Iago Vieira (S\u00f3lido\/Soli), que iniciou no graffiti em 2012, com trajet\u00f3ria anterior em desenho e pintura; e Iori Ramos, de Recife, que come\u00e7ou aos dez anos e atuou em diversos estados brasileiros.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figura \u2014 2\u00ba Festival Internacional de Graffiti Ruaz Crew \u2014 Monte Verde (2017)]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A <strong>3\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/strong> (2018), com o tema \"Teresina Cores\", foi realizada na regi\u00e3o da Grande Santa Maria da Codipi, contemplada com subs\u00eddios da Funda\u00e7\u00e3o Municipal de Cultura Monsenhor Chaves. O festival expandiu os espa\u00e7os de interven\u00e7\u00e3o para os bairros Parque Wall Ferraz, Francisca Trindade e Parque Stael. Participaram 200 grafiteiros de diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, em uma programa\u00e7\u00e3o que integrou oficinas, workshops, rodas de conversa, feira de arte urbana, batalhas de tag e mutir\u00f5es de pintura. A escolha de escolas p\u00fablicas, centros de conviv\u00eancia e equipamentos culturais como suportes da interven\u00e7\u00e3o evidenciava a compreens\u00e3o do graffiti como pr\u00e1tica pedag\u00f3gica e pol\u00edtica, capaz de produzir pertencimento e requalificar simbolicamente o espa\u00e7o urbano.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figura \u2014 3\u00ba Festival Internacional de Graffiti Ruaz Crew \u2014 2018]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A <strong>4\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/strong> (2019) ocorreu na regi\u00e3o do bairro Matadouro, nas proximidades do Teatro do Boi. Participaram cerca de 80 artistas, incluindo grafiteiros locais e de sete outros estados brasileiros. A edi\u00e7\u00e3o assume relev\u00e2ncia adicional por ser a \u00faltima organizada diretamente por La\u00e9rcio Sinza.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figura \u2014 4\u00ba Festival Internacional de Graffiti Ruaz Crew \u2014 2019]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Nos anos de 2020 e 2021, o festival teve suas atividades interrompidas pelas restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias da pandemia de Covid-19. A tentativa de retomada ocorreu em fevereiro de 2022, quando Sinza organizou uma pr\u00e9via da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o restrita a artistas convidados. Em 8 de agosto de 2022, Sinza foi assassinado. A perda do principal articulador do festival n\u00e3o apenas instaurou um per\u00edodo de luto e suspens\u00e3o das atividades, como evidenciou as condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade que atravessam os agentes da cultura urbana perif\u00e9rica \u2014 os limites e riscos impostos \u00e0queles que atuam na produ\u00e7\u00e3o cultural de bairros populares.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figura \u2014 La\u00e9rcio Sinza conduz eventos na pr\u00e9via da 5\u00aa edi\u00e7\u00e3o]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A <strong>5\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/strong> (2023), com o tema \"Cidade Cinza, Teresina de Cores\", foi marcada pelo luto e pelas homenagens a Sinza. Ao assumir a gest\u00e3o do projeto, Maria Simone (Ms. Graffiti), educadora e produtora cultural com trajet\u00f3ria consolidada na cena urbana, reafirmou o compromisso de continuidade:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:quote --><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><!-- wp:paragraph -->Meu envolvimento com o Ruaz Crew se deu efetivamente em 2022, a partir do contato direto com La\u00e9rcio Sinza, momento em que passei a compreender, em profundidade, a natureza do coletivo e o sentido de sua atua\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o, minha participa\u00e7\u00e3o havia se restringido a edi\u00e7\u00f5es anteriores do festival como grafiteira e artista convidada, sem um conhecimento mais amplo sobre os processos internos, as formas de organiza\u00e7\u00e3o e o grau de dedica\u00e7\u00e3o que sustentavam o Ruaz Crew como projeto coletivo. (Maria Simone, depoimento a Kelma Gallas, 2025)<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p><\/blockquote>\n<p><!-- \/wp:quote --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Um dos primeiros gestos de Maria Simone na lideran\u00e7a do festival foi estabelecer parceria com o Instituto Avante de Juventude, associa\u00e7\u00e3o privada sem fins lucrativos que atua na defesa dos direitos sociais da juventude e na promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o como ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social. A parceria foi determinante para garantir a sustentabilidade do evento.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de 2023 registrou a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 180 artistas de 19 estados brasileiros e uma participa\u00e7\u00e3o internacional \u2014 Yesca, da Argentina. Entre os artistas piauienses com presen\u00e7a relevante nessa edi\u00e7\u00e3o: WG, Du Alem\u00e3o, Hudson Melo, Maku, Retok e Camelo. Do Cear\u00e1, participaram Hirlan, Juc\u00e1, Siba e Ioda. Pernambuco foi a terceira maior presen\u00e7a estadual, seguido de S\u00e3o Paulo, com artistas como Wall, Vado e Alex Vinte. Estados como Bahia, Maranh\u00e3o, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Distrito Federal e Rio de Janeiro tamb\u00e9m tiveram representa\u00e7\u00e3o significativa. Esse recorte evidencia o alcance nacional do Ruaz Crew e sua consolida\u00e7\u00e3o como plataforma de circula\u00e7\u00e3o do graffiti brasileiro. Sobre essa edi\u00e7\u00e3o, Maria Simone relata:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:quote --><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><!-- wp:paragraph -->Eu e o coletivo nos esfor\u00e7amos e fizemos praticamente com zero recurso, mas conseguimos organizar. Nessa \u00e9poca, trouxemos uns 65 artistas de fora, e acho que tinham uns 100 artistas de Teresina. Conseguimos fazer um festival organizado, acolhedor e mostrar pra comunidade \u2014 que foi na Santa Maria da Codipi \u2014 que o festival continuaria, que a hist\u00f3ria do Sinza n\u00e3o morreria, que o que ele deixou a gente continuaria a fazer. (Maria Simone, depoimento a Kelma Gallas, 2025)<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p><\/blockquote>\n<p><!-- \/wp:quote --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o de 2023 tamb\u00e9m se destaca pelo aumento da participa\u00e7\u00e3o feminina. Os homens representavam cerca de 85% do total de participantes, dado que reafirma o car\u00e1ter historicamente masculinizado do graffiti. A presen\u00e7a de 15% de mulheres grafiteiras, embora ainda distante de reverter as assimetrias estruturais de g\u00eanero, representou uma inflex\u00e3o concreta na composi\u00e7\u00e3o do evento. Entre as artistas piauienses, destacaram-se Rika, Ivih, L\u00ednea e Lu Rebordosa. De outros estados, participaram Thaynha (PB), Yasmina (PE), Mila BMA (PE), Ursa (AL), N\u00e1g\u00f4 (MA), HagaH (MA), Carla de Sacola (MG), Brassa (MG), Thaizis (AM), Iran (ES), Dandara (DF), Yandra (DF), Sink (PR), Zack (SC) e B4yl (SP).<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figura \u2014 Mulheres presentes ao 6\u00ba Festival Internacional de Graffiti Ruaz Crew \u2014 2024]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A <strong>6\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/strong> (2024) reafirmou a ancoragem territorial do festival e aprofundou sua preocupa\u00e7\u00e3o com curadoria, divulga\u00e7\u00e3o e registro. A edi\u00e7\u00e3o ocorreu novamente na regi\u00e3o do Parque Brasil, Santa Maria da Codipi:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:quote --><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><!-- wp:paragraph -->Em 2024 foi a edi\u00e7\u00e3o na Santa Maria da Codipi, na regi\u00e3o do Parque Brasil. Foi outro desafio. Fizemos o festival com pouco recurso, mas a comunidade abra\u00e7ou, tivemos apoio de amigos, algumas secretarias, o coletivo se esfor\u00e7ou como sempre, e conseguimos fazer. J\u00e1 foi mais artista, a gente passou de 100 artistas de fora. Nossa principal preocupa\u00e7\u00e3o dentro de um festival desse \u00e9 n\u00e3o faltar lugar pra galera se hospedar e alimenta\u00e7\u00e3o, porque material a gente vai dando um jeito, mas alimenta\u00e7\u00e3o e hospedagem s\u00e3o prioridades. (Maria Simone, depoimento a Kelma Gallas, 2025)<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p><\/blockquote>\n<p><!-- \/wp:quote --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o integrou graffiti, rap, discotecagem, rodas de conversa e encontros formativos. Entre os artistas musicais presentes: Rafa Marx &amp; RC, Conex\u00e3o ZL, DJ La\u00eds, Alma Roots, Fam\u00edlia F\u00faria, DJ Zero e DJ Pik. O festival promoveu ainda o \"Bate-papo Ruaz\", com Maria Simone, F\u00e1bio Salmos (SP) e GardPam (PR), atravessando temas como trajet\u00f3rias, processos criativos e desafios da cena urbana.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>O ponto central da edi\u00e7\u00e3o foi a empena em grande escala executada pelo grafiteiro Gardpam (Fernando Ferlin). Artista com interven\u00e7\u00f5es realizadas em todas as capitais brasileiras e em mais de 28 pa\u00edses, Gardpam produziu o painel \"M\u00e3e dos Brasileiros\" \u2014 com aproximadamente 55 metros de altura \u2014 na lateral do Edif\u00edcio Comercial Ot\u00e1 Miranda, no cruzamento das ruas Rui Barbosa e Paissandu, no centro de Teresina. A obra foi executada ao longo de oito dias por meio da t\u00e9cnica de rapel com cadeirinha e marcou o encerramento do projeto do artista de pintar em todas as capitais do pa\u00eds, sendo Teresina a \u00faltima delas.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figura \u2014 Processo de produ\u00e7\u00e3o do painel \"M\u00e3e dos Brasileiros\", de Gardpam]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A <strong>7\u00aa edi\u00e7\u00e3o<\/strong> (2025), realizada entre 29 e 31 de agosto no Dirceu I, zona sudeste de Teresina, foi a primeira a integrar formalmente o circuito de fomento cultural do estado, contemplada pelo Sistema Estadual de Incentivo \u00e0 Cultura (SIEC) com apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Piau\u00ed e da Prefeitura de Teresina. A mudan\u00e7a de territ\u00f3rio trouxe desafios espec\u00edficos, registrados por Maria Simone:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:quote --><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><!-- wp:paragraph -->Na Santa Maria a gente n\u00e3o teve dificuldade porque o Sinza j\u00e1 conhecia toda a comunidade, porque ele era de l\u00e1. Ent\u00e3o quando a gente chegava dizendo que era do coletivo Ruaz Crew e que ia assumir o festival, todo mundo aceitava. As pessoas j\u00e1 conheciam o que era o graffiti. Em 2025 foi no Dirceu, e a\u00ed ficou mais dif\u00edcil. Voc\u00ea chega na comunidade e tem que apresentar todo o trabalho. Quando voc\u00ea pede um muro, \u00e0s vezes a pessoa fica insegura, diz que n\u00e3o sabe se quer, que a m\u00e3e n\u00e3o quer, pergunta o que vai ser pintado. Depois que os artistas come\u00e7am a grafitar os espa\u00e7os p\u00fablicos autorizados, a pr\u00f3pria comunidade come\u00e7a a procurar os artistas e pedir pintura nos muros. A\u00ed o graffiti se espalha pela comunidade inteira, n\u00e3o fica s\u00f3 na rua principal. (Maria Simone, depoimento a Kelma Gallas, 2025)<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p><\/blockquote>\n<p><!-- \/wp:quote --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>As atividades concentraram-se na Pra\u00e7a Cultural do Dirceu e em equipamentos p\u00fablicos como CRAS e escolas. A programa\u00e7\u00e3o incluiu mutir\u00f5es de graffiti, oficinas gratuitas, bate-papos, feira, batalhas de MCs e de tag, shows e a\u00e7\u00f5es sociais. A edi\u00e7\u00e3o incorporou ainda oficinas de elabora\u00e7\u00e3o de projetos culturais e produ\u00e7\u00e3o de eventos, indicando uma preocupa\u00e7\u00e3o com a profissionaliza\u00e7\u00e3o e sustentabilidade da cena. A rela\u00e7\u00e3o com o poder p\u00fablico, descrita por Maria Simone, revela um processo de negocia\u00e7\u00e3o que n\u00e3o suprime o car\u00e1ter aut\u00f4nomo do coletivo, mas o insere em circuitos institucionais:<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:quote --><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><!-- wp:paragraph -->Hoje, a gente tem uma rela\u00e7\u00e3o boa com o poder p\u00fablico. Existem leis de incentivo, eles j\u00e1 conhecem o que \u00e9 a arte urbana, as culturas perif\u00e9ricas, o hip hop. Ainda \u00e9 dif\u00edcil quando se fala em dinheiro, em patroc\u00ednio, mas quando voc\u00ea chega com uma proposta boa e uma contrapartida, as coisas acontecem. Em 2025, no festival do Dirceu, conseguimos patroc\u00ednio da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica: som e tenda. A contrapartida foi levar a\u00e7\u00f5es positivas da secretaria para o festival. Teve a\u00e7\u00e3o social, corte de cabelo, \u00f3tica, feira, oficinas de graffiti, oficina de desenho e oficina de elabora\u00e7\u00e3o de projetos para artistas participarem de editais. N\u00e3o foi s\u00f3 graffiti. Foi um festival com v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es, com impacto social real. (Maria Simone, depoimento a Kelma Gallas, 2025)<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p><\/blockquote>\n<p><!-- \/wp:quote --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o reuniu mais de 150 artistas de 14 estados brasileiros e quatro pa\u00edses \u2014 Col\u00f4mbia, Chile e Argentina \u2014, com forte concentra\u00e7\u00e3o nordestina. Entre os 20 artistas piauienses convidados: DC, Hudson Melo, WG, Maguim, Dhieck, Samu, Ted Rap, Paola Viic, Xaio, Potiza, Irix, Geeh, Yago, Jam, Paco, Magnata, Slim, Vini, Briseno e Madibu.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><em>[Figuras \u2014 Painel de artistas presentes na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do festival em 2025]<\/em><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --> <!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Ao longo de sua trajet\u00f3ria, o Ruaz Crew atravessou perdas, rupturas e reconfigura\u00e7\u00f5es internas que testaram a sustentabilidade do projeto. O assassinato de La\u00e9rcio Sinza em 2022 foi o momento mais cr\u00edtico dessa trajet\u00f3ria \u2014 n\u00e3o apenas pela aus\u00eancia do fundador, mas porque evidenciou a vulnerabilidade espec\u00edfica dos agentes da cultura perif\u00e9rica no Brasil. A continuidade do festival, sob a gest\u00e3o de Maria Simone, demonstrou que a perman\u00eancia de um projeto cultural desse tipo depende de v\u00ednculos territoriais e da capacidade de reinven\u00e7\u00e3o do coletivo, tanto quanto de recursos materiais. O Ruaz Crew inscreveu-se na hist\u00f3ria do graffiti teresinense n\u00e3o apenas pelas obras nos muros, mas pelo que construiu entre pessoas, bairros e gera\u00e7\u00f5es \u2014 afirmando a periferia como espa\u00e7o de cria\u00e7\u00e3o, pensamento pol\u00edtico e produ\u00e7\u00e3o de pertencimento.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","galeria_de_fotos-eventos":""},"nome-projeto":[2],"class_list":["post-1471","eventos-ev","type-eventos-ev","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","nome-projeto-grafithe"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Festival Ruaz Crew - Editora Lestu - Projeto Grafi-The<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/lestu.com.br\/projetos\/grafithe\/eventos-ev\/festival_ruaz_crew\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Festival Ruaz Crew - 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